Por Fredi Jon
Vivemos tempos em que tudo parece ter virado um aplicativo. Até para lembrar de respirar já existe notificação no celular. O progresso avança com a pressa de quem esqueceu o freio de mão, mas fica uma questão atravessada: “será que viver é só funcionar bem, ou ainda podemos nos dar ao luxo de sentir?”
Não se trata de um duelo entre humanos e máquinas, tipo filme de Hollywood. É mais parecido com aquela discussão de casal sobre onde pedir comida: nós queremos emoção, eles querem eficiência. O problema é que a vida não cabe numa planilha. E talvez a graça esteja justamente aí.
1) A epidemia do “ruído útil”
Chamamos de conexão aquilo que muitas vezes é só cansaço com Wi-Fi. O feed rola sem parar, a música é escolhida por algoritmo e até a solidão vem em formato de notificação. Mas quando foi a última vez que paramos para ouvir uma canção sem fazer nada ao mesmo tempo?
Perguntas incômodas:
-Quantas vezes confundimos velocidade com profundidade?
-Será que a gente mede tanto porque não sabe mais sentir?
– E se o mundo acabar no meio de uma reunião no Zoom, quem aperta o botão “sair”?

2) A arte como o Wi-Fi do coração
A arte não vem para otimizar nada, pelo contrário, é ela que atrapalha o relógio. Uma música boa faz a gente esquecer da pressa, um quadro abre perguntas em vez de dar respostas, um poema se recusa a ter versão 2.0.
Em outras palavras: se os algoritmos entregam previsibilidade, a arte devolve surpresa. E convenhamos, surpresa é aquele tempero que impede a vida de virar tutorial do YouTube.
3) Tecnologia: amiga ou aquele parente que fala demais?
Toda ferramenta carrega um jeito de nos educar. Um martelo nos ensina a ver pregos em todo lugar. Um algoritmo pode nos ensinar a viver em bolhas. O problema não é que a máquina faça, mas que a gente deixe de perguntar: “vale a pena fazer?”
Se uma IA cria uma planilha ou palestra que preciso, ótimo. Mas aí surge a questão: “o que faço com o tempo que ganhei?” Maratona de série? Outro curso online? Ou simplesmente ouvir uma música e deixar o silêncio trabalhar?
4) O pacto do sentir (com direito a pausa para café)
Talvez o futuro não precise de super-heróis, mas de pequenas regras de convivência:
– Direito ao intervalo: ninguém é máquina, e mesmo as máquinas precisam reiniciar.
– Valorizar o erro: às vezes um acorde trocado salva a música.
– Política do cochilo: se tudo falhar, dormir pode ser a mais sábia das tecnologias.

5) Três perguntas para atravessar o amanhã sem perder a piada
- O que não quero automatizar, mesmo que pudesse? (Beijo, abraço, aquela conversa boa no café)
- Que dor merece cuidado lento, e não solução instantânea?
- Qual música me impede de virar robô em tempo integral?
No fim, talvez a verdade esquecida seja simples: precisamos de lugares onde o valor não vem da eficiência, mas da presença. Lugares onde rir é tão importante quanto calcular, e onde um violão ainda pode ser mais revolucionário que um supercomputador.
Porque, convenhamos: se for para viver apenas como engrenagem, até as máquinas vão nos achar sem graça.
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